Nesses seis anos de Soulcial, aprendemos que impacto social não se constrói sozinho. O verdadeiro amadurecimento do Terceiro Setor ocorre quando as ONGs deixam de atuar como ilhas e passam a operar em rede. É fundamental que as instituições compartilhem conhecimentos, boas práticas e oportunidades, conectando-se cada vez mais. Quando uma ONG divide uma solução criativa, uma ferramenta de gestão ou até mesmo um edital de financiamento, ela fortalece todo o ecossistema. Mais do que isso, ao desenvolverem projetos juntas, as organizações unem expertises distintas (como saúde e educação, por exemplo) para resolver os problemas complexos das comunidades em que atuam.
Essa colaboração contínua, no entanto, exige profissionalização. Hoje, não basta ter boas intenções; é preciso estruturar e medir. As organizações precisam diferenciar claramente a atividade (o que a ONG faz), o resultado (a mudança imediata que é entregue) e o impacto (a mudança real e duradoura na vida das pessoas e das comunidades).
Para atrair parceiros, doadores e garantir a sustentabilidade desses projetos conjuntos, medir o impacto é indispensável. O uso de métricas e indicadores ajuda a mostrar, com clareza, como os projetos contribuem para um mundo melhor, inclusive demonstrando o alinhamento das ações a metas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Medir é essencial para apoiar a tomada de decisão interna, garantir a prestação de contas com transparência e fortalecer a credibilidade da organização.
O caminho para essa evolução passa pela ação prática e simplificada. A nossa principal orientação para as ONGs é: comecem pequeno, mas comecem! Definam um ou dois indicadores simples, coletem dados de forma prática (usando formulários, fotos ou depoimentos) e façam um acompanhamento contínuo. Lembrem-se da regra de ouro do impacto: o que não é medido, não pode ser melhorado! Na Soulcial, o nosso propósito ilustra bem essa jornada: engajamos pessoas para mudar a sociedade. Quando o Terceiro Setor une a colaboração ativa à gestão de dados, os resultados superam todas as expectativas.
*Juliana Bertin é cofundadora Soulcial, gerontóloga com mestrado em engenharia urbana pela UFSCar e multiplicadora do Sistema B. Está envolvida em diversos trabalhos sociais, como voluntária e idealizadora. Redes sociais: @somossoulcial @jubertin


