Em Campinas, 105 crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista recebem atendimento gratuito no PAICA. Enquanto a instituição oferece acompanhamento educacional e terapêutico aos atendidos e acolhimento aos familiares, mais de 200 pessoas aguardam uma vaga. A fila de espera mostra a dimensão da demanda por serviços especializados e o desafio de ampliar a capacidade sem comprometer a continuidade do cuidado.
O apoio às famílias integra o modelo de atendimento. Pais e responsáveis encontram espaço para compartilhar experiências, receber orientação e conversar com profissionais sobre as dificuldades que atravessam a rotina. Para o PAICA, acompanhar a criança também exige apoiar quem participa de seus cuidados todos os dias.
Atendimento gratuito para crianças e adolescentes autistas
O Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atende crianças e adolescentes autistas em situação de vulnerabilidade social.

O projeto foi idealizado em 2012, iniciou suas atividades em 2013 e passou a realizar atendimentos presenciais em sede própria em 2022. Naquele ano, oito crianças eram acompanhadas. Hoje, o total chegou a 105.
Uma das principais frentes de atuação é o Atendimento Educacional Especializado, realizado por meio de convênio com a Secretaria Municipal de Educação. A iniciativa recebe estudantes da rede pública no contraturno escolar, com atividades pedagógicas e outros acompanhamentos definidos conforme as necessidades de cada criança.
A instituição também oferece atendimentos terapêuticos e projetos voltados à autonomia, à convivência e ao desenvolvimento de habilidades para a vida cotidiana.
Entre as iniciativas estão as Atividades de Vida Diária e o grupo de habilidades sociais para adolescentes. O primeiro projeto trabalha capacidades relacionadas à rotina e à autonomia. O segundo incentiva a interação e a convivência entre os participantes em um ambiente acompanhado por profissionais.
Acolhimento das famílias faz parte do cuidado
Durante as atividades das crianças e dos adolescentes, pais e responsáveis também podem receber apoio. Segundo Thaís Alegri, responsável pela comunicação da organização, o PAICA oferece acolhimento e atendimento familiar com o suporte de uma terapeuta e de uma psicóloga familiar.
Os encontros permitem que os cuidadores conversem sobre suas dificuldades, troquem experiências e recebam acompanhamento psicológico.
Essa frente está presente no projeto Cuidando de Quem Cuida e em ações direcionadas aos responsáveis. A experiência das próprias gestoras também aproxima a instituição da realidade das famílias: duas integrantes da gestão são mães atípicas e conhecem parte dos desafios enfrentados após o diagnóstico e ao longo do acompanhamento.

O acolhimento se estende a outros integrantes da família. O projeto Tamo Junto cria um espaço de escuta para irmãos das crianças e dos adolescentes atendidos.
Em atividades voltadas aos adolescentes, o PAICA também promove encontros com pais e outras referências masculinas, estimulando a participação desses responsáveis no cuidado.
Fila de espera supera 200 pessoas
O crescimento do PAICA ampliou o número de atendimentos, mas ainda não acompanha a procura. Mais de 200 crianças e adolescentes estão na fila de espera, e a abertura de novas vagas depende de recursos financeiros, profissionais e estrutura adequada.
As famílias podem procurar a organização diretamente ou chegar por indicação de escolas e de outros serviços. O atendimento prioriza crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, matriculados na rede pública e sem plano de saúde, conforme os critérios informados pela instituição.
Como os acompanhamentos são contínuos, novas vagas surgem com pouca frequência. Os desligamentos acontecem principalmente quando a família muda de cidade ou passa a contar com plano de saúde particular.


Nesse contexto, captar recursos significa preservar os atendimentos atuais e criar condições para receber mais pessoas no futuro.
Recursos ajudam a manter os atendimentos
O PAICA combina diferentes fontes de financiamento. Parte dos recursos vem do convênio com a Secretaria Municipal de Educação e de emendas parlamentares destinadas a projetos específicos. A instituição também depende de doações de pessoas físicas e empresas para manter e ampliar suas atividades.
Em maio de 2026, a organização iniciou uma parceria com a Soulcial para captar recursos por meio da doação de cupons fiscais. Pelo aplicativo, usuários podem registrar cupons emitidos no Estado de São Paulo e direcioná-los a organizações parceiras, sem custo adicional para o doador.
A dinâmica de gamificação estimulou a equipe a criar uma gincana interna. Thaís conta que se envolveu com a arrecadação a ponto de brincar que se tornou a “maluca do cupom”.
A proposta agora é ampliar a mobilização e levar a campanha a outros espaços, aproximando mais pessoas do trabalho realizado pela instituição.
A adaptação à plataforma exige aprendizado, principalmente entre pessoas menos familiarizadas com aplicativos. Ainda assim, Thaís avalia que a parceria abre uma nova possibilidade de arrecadação e permite que o resultado cresça conforme mais pessoas participem.

Como apoiar o PAICA
Quem deseja apoiar pode guardar os cupons fiscais das compras e conhecer como a Soulcial transforma cupons fiscais em doações. Também é possível acompanhar campanhas, eventos e outras formas de colaboração no site oficial e no Instagram do PAICA.
Para uma organização que atende gratuitamente 105 crianças e adolescentes e ainda enfrenta uma fila de espera superior a 200 pessoas, ampliar a rede de apoio é parte do esforço para manter o trabalho e criar novas possibilidades de atendimento.
Como resume Thaís, “cada cupom conta”.
Texto: Mariana Francisco (DRC&P)


